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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

TABELA COMPLETA ATÉ 10ª RODADA



* AS REDE GLOBO, SPORTV E PFC AINDA DIVULGARÃO OS HORARIOS E DATAS OFICIAIS DAS PARTIDAS APÓS A 11ª RODADA

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

ELENCO DO BOTAFOGO-FC

ELENCO ATUALIZADO DO BOTAFOGO ATÉ 13/12/2011

Lori Sandri - Técnico

Paulo Vitor (Goleiro, Vitória-ES, 23)
Juninho (Goleiro, Anápolis-GO, 30)
Márcio (Goleiro, Atlético-PR, 30)
** João Lucas - base

Cris (Zagueiro, Noroeste, 23)
Gustavo Bastos (Zagueiro, Avaí-SC, 28)
Marquinhos (Zagueiro, Istanbul BB-TUR, 29)
Daniel Horst (Zagueiro, Joinville-SC, 30)
** Henrique Mattos e Rafael Almeida - base (Possibilidade de serem emprestados)

Paulinho (Lateral-esquerdo, Coruripe-AL, 23)
Alex (Lateral-esquerdo, Primavera, 23)

Daniel Borges (Lateral Direito, Base, 18)
Romeu (Lateral Direito, remanescente Copa Paulista, 21)
Edimar Chazinho (Lateral Direito, Real Noroeste-ES, 24)
Vinícius (Volante, Guarani, 26)
Gil Baiano (Volante, Rio Branco-ES, 31)
** Julio César, Alemão - base (Possibilidade de serem emprestados)

Paulo André (Meia, Itaúna-MG, 19)
Maycon (Meia, Alcanense-POR, 19)
Leo Gonçalves (Meia, remanescente Copa Paulista, 22)
Washington (Meia, São Bernardo, 23 )
Émerson (Meia, Mogi Mirim, 31)
Alvaro - base (Possibilidade de ser emprestado)

Caio Gardim (Atacante, base, 19)
Vitor Flora (Atacante, remanescente Copa Paulista, 21)
Lucas Dantas (Atacante, remanescente Copa Paulista, 22)
Luiz Ricardo (Atacante, Mauaense, 22)
Talles Cunha (Atacante, Internacional-RS, 22)
Clebinho (Atacante, Itapirense, 25)
Tadeu (Atacante, Palmeiras, 25)

Fontes: Site oficial do Botafogo e RGdogol.com

domingo, 4 de dezembro de 2011

Um dia que marca a história do Botafogo.

Hoje foi um dia que entra para a história de vida dos torcedores botafoguenses que colaboraram com a retirada da grade das arquibancadas, colocadas em 1995 nas semifinais do campeonato Paulista. Entra também para história do Botafogo Futebol Clube e do Estádio Santa Cruz que recuperou o espaço da torcida botafoguense.
Fico feliz por ter participado desta ação, pois era um sonho ter de volta toda a arquibancada para a torcida poder assistir o jogo do centro do campo e ainda estender o mais lindo bandeirão do mundo.
Parabéns a todos os colaboradores que trabalharam na execução do trabalho de remoção e limpeza e aqueles que colaboraram com a estrutura tanto do almoço como dos refrigerantes e água.
Ana passado ouvi uma frase que me machucou e esse ano eu grito a resposta.. o estádio Santa Cruz é nosso com muito orgulho, suor, amor e trabalho.
Viva o Botafogo, feito por botafoguenses para os verdadeiros botafoguenses!


No 03/12/11 começaram os trabalhos de reforma do estádio Santa Cruz em Ribeirão Preto/SP. Os torcedores do Botafogo/SP foram convocados para ajudar o clube nas obras. A torcida Fiel Força Tricolor, como sempre, estava comandando a ação.


Notas sobre o Estádio Luiz Pereira, em Ribeirão Preto

Notas sobre o Estádio Luiz Pereira, em Ribeirão Preto.

Notes on the Luiz Pereira Stadium, in Ribeirão Preto.

Para Penercides Fernandes dos Passos

Rogério Duarte Fernandes dos Passos

Palavras-chaves: Estádio Luiz Pereira. Botafogo Futebol Clube. História de Ribeirão Preto. História do Futebol. História do Futebol do Interior.

Keywords: The Luiz Pereira Stadium. Botafogo Football Club. History of Ribeirão Preto. History of Football. History of football from country.

Resumo: Com este breve texto, exporemos fragmentos da história do antigo Estádio Luiz Pereira, que existiu na cidade de Ribeirão Preto e que pertenceu ao Botafogo Futebol Clube. Após a descrição dos principais acontecimentos que permearam a sua existência até a sua desativação em 1967, o texto culmina no momento histórico da venda de seu terreno, onde funcionava um clube social.

Abstract: With this short text fragments, we will expose the history of ancient Stadium Luiz Pereira, who lived in the city of Ribeirão Preto and that belonged to the Botafogo Football Club. After a description of the main events that permeated its existence until its deactivation in 1967, the text culminates in the historic moment of the sale of his land, a social club where he worked.

1. O antigo Estádio Luiz Pereira.

Entre 1924 e 1967 existiu na cidade de Ribeirão Preto o Estádio Luiz Pereira, e que pertenceu ao Botafogo Futebol Clube.

Como nos lembram Márcio Javaroni (2008) e Rubem Cione (1988), este último historiador de Ribeirão Preto, o primeiro campo de futebol do clube localizava-se no cruzamento das ruas Conselheiro Saraiva e Santos Dumont, na Vila Tibério. E segundo ainda Javaroni (2008) e Cione (1988), foi em 1921 que o clube adquiriu por 5 contos e 500, pagos em 4 parcelas, um terreno neste bairro – a sua “casa”, visto ser o seu berço de fundação – para a construção de sua praça de esportes. A área situava-se entre as ruas Paraíso, Santos Dumont e Epitácio Pessoa, e a construção se deu entre 1921 e 1924 (Javaroni, 2008; Cione, 1988).

Para a tarefa de erguer o estádio, houve imenso empenho pessoal de dirigentes como Luiz Pereira, Antônio Rodrigues, Adriano dos Santos, Dr. Francisco Prata, Ferrucio Bignardi, Mário Marques, Francisco Oranges e Pedro Aguiar (Cione, 1988).

A partida inaugural aconteceu diante do Uberaba em 21 de fevereiro de 1924, e foi vencida pelo Botafogo pelo placar de 2 x 1. Vários nomes passaram a denominar a praça esportiva, como “Campo do Botafogo”, “Alçapão da Vila”, “Campo da Vila”, “Fortim da Vila”, “Fortim da Vila Tibério”, “Vila Tibério”, ou simplesmente, “A Vila”.

O ano de 1927 marca a conquista do título do Campeonato Paulista do Interior pelo Botafogo no torneio organizado pela Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), registrando-se a memorável vitória sobre o Operário por 5 x 3. Na ocasião, a equipe do treinador Humberto Bianchi (ex-jogador do clube e pai do futuro presidente Luís Carlos Bianchi, o popular “Tiaguinha”) contava com Palito, Neves, Pequitote, Corne, Cobra, J. de Paula, Collete, Iracino, João Velho, Perico e Carrapato. Segundo minha avó Helena Olga D’Orazio Duarte (1918-2006) – que na Vila Tibério residia no nº 44-A da Rua Rodrigues Alves (esquina com a Rua Dr. Loyola, em uma construção que hoje não mais existe) –, mesmo gostando muito dos irmãos botafoguenses Sócrates e Raí, para ela Pequitote foi o maior jogador da história de Ribeirão Preto (era chamado pelas meninas de “pernas de alicate”), embora em 1931 tenha sido desbancado da posição de titular por um jovem de apenas 15 anos vindo da cidade de Rifaina, que batizado Elba de Pádua Lima, atendia pela alcunha de “Tim” (1916-1984), e que hoje empresta seu nome a Cava do Bosque, que é o principal complexo esportivo da cidade.

Em 1938, quando era presidido por Joaquim Galliano, celebrando vinte anos do clube – que segundo vários torcedores informalmente já existia antes de sua ata oficial de fundação, 12 de outubro de 1918, –, houve o amistoso diante do São Paulo, empatado em 3 x 3 (Javaroni, 2008).

O batismo oficial ocorre no começo do ano de 1941, uma vez que os dirigentes do clube combinaram que o primeiro que morresse emprestaria o seu nome ao estádio (Javaroni, 2008). E este foi o presidente Luiz Pereira, grande benemérito do clube e funcionário da Companhia Antarctica Paulista (Javaroni, 2008).

O dia 13 de novembro de 1958 assinala o seu primeiro jogo noturno, quando em partida amistosa, o Botafogo vence o Atlético Mineiro por 2 x 0, havendo significativa repercussão local por conta da então novidade de uma “peleja” a luz de refletores.

O acanhado estádio – lembre-se que a capacidade inicial era para 10.000 torcedores – se tornou um trunfo para o Botafogo, com a torcida próxima das arquibancadas fazendo muito barulho, configurando o que na linguagem futebolística do Interior comumente se chama de “caldeirão”.

Contabilizando as partidas disputadas a partir de 1947 – data da criação do Campeonato Paulista da Segunda Divisão –, até 1967 – o ano da despedida do Estádio Luiz Pereira –, o Botafogo obteve o aproveitamento de 75%, vencendo 190 das 292 partidas oficiais ali disputadas, contabilizando 56 empates e 46 derrotas, e entre setembro de 1955 e 10 de novembro de 1957, nele esteve invicto, quando então foi derrotado pela Portuguesa Santista por 1 x 0 (Javaroni, 2008), justamente a quem tinha vencido pelo mesmo placar na estréia da divisão maior do Estado de São Paulo em 16 de junho.

Ainda em 1957 – quando a capacidade é aumentada para 15.000 torcedores –, no dia 20 de outubro, no Estádio Luiz Pereira, o Botafogo venceu o Santos por 4 x 2, na estréia de Pelé em fases decisivas de Campeonatos Estaduais Paulistas, e em 1960, chegou a terminar o primeiro turno da competição na primeira colocação. Neste ano, porém, o presidente Waldomiro Silva não consegue manter o mesmo elenco para o segundo turno e a par da boa participação na competição, o título não vem.

Mas a grande recordação de todo o período de atividade do Estádio Luiz Pereira, foi o título da “série cafeeira” – como era conhecido o torneio de acesso da Segunda Divisão do Campeonato Paulista –, que, na edição de 1956, teve a sua partida final em 11 de fevereiro de 1957. Após vencer o Paulista de Jundiaí por 1 x 0, na segunda partida das finais a equipe do treinador argentino José Guillermo Agnelli (1912-1998) é derrotada por 3 x 1, vencendo com o famoso “gol de nariz” de Dicão a terceira partida decisiva disputada no Estádio Palestra Itália, em São Paulo, novamente pelo placar de 1 x 0 e garantindo o acesso com o título.

Finalmente, o clube empreende um processo de modernização que implica na desativação do Estádio Luiz Pereira e, com grande mobilização dos botafoguenses, culmina na construção do Estádio Santa Cruz – inaugurado em 21 de janeiro de 1968 –, localizado entre os bairros da Ribeirânia e Santa Cruz do José Jacques, que à época, tinha capacidade para cerca de 60.000 torcedores, então o 37º maior do mundo (e que chegou a receber 62.000 no empate em 2 x 2 do amistoso das Seleções de Brasil e Polônia, em 17 de março de 1993).

A despedida do velho Estádio Luiz Pereira se dá no sábado de 02 de dezembro de 1967, na derrota para o Corinthians por 3 x 0, em partida válida pelo Campeonato Paulista da Primeira Divisão. Nesse dia, como nos anota Rafael Gonçalves (2010) o “Pantera” – alcunha do clube – atuou com o goleiro Élcio, mais Celso, Zé Carlos, Roberto Rebouças e Carlucci, o “Canhão da Vila” – tido por muitos como o chute mais potente da história do futebol brasileiro –, além de Márcio, Roberto Pinto, Jairzinho, Paulo Leão, Barcímio Sicupira (que depois marcaria o primeiro gol do novo estádio, o Santa Cruz, em 21 de janeiro de 1968) e Totó. O treinador da equipe foi o lendário “Tiri” (1936-2009).

Grandes atletas da história do Botafogo desfilaram pelos gramados do Luiz Pereira, como o goleiro Galdino Machado, mais Neco, Ponce, Guina, Tarciso, Gil, Antônio Julião, Noca, Benedito Julião, Antoninho Angeli, Paulinho, Silva, Henrique, Ditinho, Egídio, Maciel, o goleiro Robertinho, Itamar, Laerte, Élcio, Mairiporã, José Galli Neto, Hélcio, Carlucci, Léo, Calegari, Amorim, Cubatão, Edgar, Cunha, João Velho, Vadão, Ganzepe, Quartim, Veríssimo, Dirceu, Moreno, Alípio, Hélio Vieira, o goleiro Rafael, Sula, Garito, Fonseca, Alcides, o goleiro Ary, Wilsinho, Expedito, Totó, Pirombá, Ditinho, Alex, o goleiro Basílio, China, Berguinho, Perseu, Corne, Vasinho, Iracino, Roberto Pinto, Tiri (como jogador); Zuíno, Edílio, Dorival, Cabelo, Ismar, o goleiro Ênio, Cobra, Américo, Ladeira, Pequitote (que também para Gavino Virdes – lendário narrador do futebol de Ribeirão Preto pela emissora PRA-7 –, foi o maior jogador da história do futebol da cidade), Mendes, Zé Carlos, Barcímio Sicupira, Mosquito, Nílson, J. de Paula, Adelino, Quarentinha, o goleiro Geninho, Eurico, Vilela, Perico, Baldochi, Nair, Collete, Júlio Amaral, Pereira, Diógenes, Xixico, Carolo, Leonaldo, Xavier, Jairzinho, Oscar, Dicão, Hegídio, Ferreirinha, Neves, Roberto Rebouças, Mário, Tatau, o goleiro Sílvio, Valdir, Alex, Brotero, Adalberto, Palito, Kelé, Berguinho, Toninho e Gaze. De outras equipes, basta a lembrança de jogadores como Pelé, Toninho Guerreiro, Coutinho, Cléber, Flávio Minuano, Dino Sani, Pepe, Benê, Bauer, Roberto Rivelino, Roberto Dias e Gilmar dos Santos Neves, dentre tantos outros que se torna inútil elencar.

Dos treinadores botafoguenses do período, muitos são lembrados, entre eles Humberto Bianchi, Aloísio Teixeira Dias, e claro, Tiri e os argentinos Armando Frederico Renganeschi (1913-1983) e José Guillermo Agnelli.

2. Mais recordações.

Meu pai sempre me narrou muitas lembranças do Luiz Pereira. Nele, ainda criança, trabalhava vendendo amendoim. Morador da Rua Paraíso, na Vila Tibério, sempre amou o Botafogo e povoou nossa infância com lembranças do clube.

Algumas de suas narrações nos rememoram que a visita de clubes como o Batatais e o Rádium de Mococa, fazia com que as arquibancadas do Luiz Pereira tremessem, tamanha a rivalidade. Em uma dessas ocasiões, teve ele que sair correndo de debaixo delas com a cesta de amendoins com receio da tremulidão das estruturas.

O futebol de salão na quadra do Botafogo também foi um período muito significativo para as suas recordações. Lá o convívio com dirigentes históricos – como os presidentes Waldomiro da Silva, Farjala Moisés e Benedito Sciencia da Silva, além do ex-goleiro e ex-treinador Geninho, e também com botafoguenses integrantes de várias famílias antigas – sempre povoou as memórias de meu pai.

Porém, a sua lembrança mais marcante refere-se à ocasião em que o Botafogo – na década de 1960 – venceu o Santos. Pelé iria jogar, e o Estádio Luiz Pereira estava superlotado. Meu pai – lembre-se, criança – vendeu como nunca amendoins, não parando para descansar um único minuto, sequer conseguindo olhar para o gramado. Horas após o término da partida, chega o momento de receber o pagamento do indivíduo que explorava a venda de comes e bebes no estádio. E ele diz: “Vocês meninos tiveram o privilégio único de ver Pelé jogar. Está muito bem pago”.

Após a desativação do Luiz Pereira, o estádio é desmanchado e no local é instalado o clube poliesportivo do Botafogo, restando como recordação apenas um lance de arquibancada de concreto lateral (de costas para a Rua Santos Dumont), donde se vê uma piscina semi-olímpica.

Finalmente, após o clube poliesportivo ser entregue em 2009 à torcida uniformizada Fiel Força Tricolor para administrá-lo, em 20 de maio de 2011 é anunciada a sua venda judicial a um empresário de Brasília no valor de R$ 4.612.500,00 para o pagamento, segundo se divulgou, de 95% das dívidas trabalhistas, após 10% de desconto dado pelos credores. O clube ainda dividiu o restante de seu passivo em 48 parcelas fixas de R$ 17.000,00 (Martinez, 2011).

Na ocasião, Luiz Antonio Pereira, então presidente do Botafogo, declarou (Martinez, 2011):

Nós fizemos o melhor para o clube no momento. Perdemos um patrimônio tradicional nosso para que tenhamos um futuro melhor. As dívidas só aumentavam e a quitação delas irá beneficiar o Botafogo. Acreditamos que, dentro do possível, foi um bom negócio. Fico triste pela perda do nosso antigo estádio, mas feliz pela boa perspectiva de futuro que tenho, agora, com o clube sem dívidas trabalhistas.

3. Considerações finais.

Nesse início de Século XXI muitos clubes brasileiros de futebol tentam construir projetos de modernização, e, dentre eles, o maior de todos os empreendimentos implica em edificar um estádio (para os que ainda não os tem) ou a construção de novos e maiores. Há mais de 40 anos – quando a gestão empresarial ou o planejamento estratégico ainda não eram conceitos correntes e tão discutidos como agora – o Botafogo teve essa corajosa iniciativa, abandonando o tradicional Estádio Luiz Pereira e engajando-se enormemente na construção do expressivo Estádio Santa Cruz em área nobre de Ribeirão Preto.

Algumas das gestões administrativas que se seguiram a esse enorme feito, porém, não estiveram neste mesmo nível, trazendo enormes dívidas ao clube, que custaram o clube poliesportivo e social, outrora lendário Estádio Luiz Pereira.

Não deixa de ser paradoxal que um esporte que tenha encontrado farto campo para se desenvolver e popularizar no Brasil, in casu, o futebol, trazendo várias conquistas esportivas ao país, veja muitos de seus clubes em dificuldades e com enorme passivo.

Lembre-se que os clubes de futebol são portadores de relevante memória coletiva do povo, ainda que inseridos na estratégia de alienação social presente no Brasil. No caso do Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto, o “Tricolor da Vila Tibério” (bairro que é citado inclusive como o seu nascedouro no hino do clube, de música de Horvildes Simões e letra de Ricardo Christiano Ribeiro), o Estádio Luiz Pereira faz parte do repertório da memória coletiva dos botafoguenses e, em especial, da própria Vila Tibério, que é vista quase que de forma indissociável à agremiação. Muito se discutiu se o Botafogo, à época, não deveria mantê-lo para enfrentar clubes de menor expressão como forma de fazer valer o “caldeirão”, deixando o Estádio Santa Cruz para os confrontos diante de clubes grandes ou como arena para shows. Mas não deixa de ser inviável a idéia da dispendiosa manutenção de duas praças esportivas, especialmente pelo pequeno público que se vê em partidas disputadas entre clubes do Interior.

Apesar disso, muitos torcedores – a exemplo do que nos foi relatado pelos botafoguenses Penercides Fernandes dos Passos e Manuel Simões Floria, que muito freqüentaram o Estádio Luiz Pereira – entendem que o clube jamais deveria ter saído da Vila Tibério. Ou tentando ampliar o antigo estádio então feito predominantemente de arquibancadas de madeira – como lembra o torcedor Rodrigues Gallo (Gonçalves, 2010) – ou tentando construir o novo no mesmo bairro. Obviamente, não foi o que aconteceu, mesmo porque sendo área da cidade deveras antiga, dificilmente se encontraria na velha Vila um terreno capaz de abrigar o projeto de um estádio como o Santa Cruz.

A partir da outorga da escritura do clube poliesportivo ao seu comprador, o que sobrou do Estádio Luiz Pereira sobreviverá na memória coletiva do torcedor botafoguense, e com maiores detalhes na memória dos que lá estiveram, que sentiram a vibração das arquibancadas, dos que lá comeram amendoim e pipoca, dos que trabalharam e dos que lá foram explorados. De todos os que partilharam emoções. Dos árbitros e atletas que sentiram as ofensas, ouviram gritarias, cânticos, e em especial, dos botafoguenses que daquele período restam, que descrevem o Luiz Pereira de uma forma que não cabe nas palavras dos de hoje.

4. Referências.

CIONE, Rubem. Os Gloriosos Come-Fogo na História de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto: IMAG, 1988.

GONÇALVES, Rafael. Jogo de despedida do estádio Luís Pereira, casa do Fogão, completa 43 anos. RG do Gol, Ribeirão Preto, ed. de 09-12-2010, disponível na rede mundial de computadores (Internet) no endereço eletrônico . Acesso em 24-10-2011.

JAVARONI, Márcio. O palco do encontro de gerações de craques foi o glorioso Luiz Pereira. Jornal da Vila, Ribeirão Preto, out. de 2008, p. 04.

MARTINEZ, Rafael. Venda do Poli Esportivo é consumada e 95% das dívidas trabalhistas são quitadas. Botafogo Futebol Clube, Ribeirão Preto, disponível na rede mundial de computadores (Internet) no endereço eletrônico . Acesso em 26-09-2011.

4.1. Vídeo.

Botafogo 2 x 0 Santos. Estádio Luiz Pereira – Campeonato Paulista, 06-09-1964. Youtube, disponível na rede mundial de computadores (Internet) no endereço eletrônico . Acesso em 26-09-2011.

4.2. Imagens.

http://canaltricolorrp.vilabol.uol.com.br/luis_pereira.jpg

Estádio Luiz Pereira em seus primórdios. Arquivo pessoal do botafoguense Lucas Vinícius de Oliveira (o popular “Lucas Vini”). Disponível em . Acesso em 24-10-2011.

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Vista aérea do Estádio Luiz Pereira lotado em dia de jogo. É a torcida botafoguense “presente no passado”. Disponível em . Acesso em 24-10-2011.

Estádio Luís Pereira, antiga casa do Fogão

Estádio Luiz Pereira, na Vila Tibério. Como observa o torcedor Rodrigues Gallo (Gonçalves, 2010), a imagem é composta por uma fotomontagem, feita ao longo das discussões se o Estádio Luiz Pereira deveria ser ampliado ou abandonado em favor do projeto de um maior, in casu, o Estádio Santa Cruz, o que de fato acabou prevalecendo. Vê-se o estádio, portanto, como se fosse uma maquete, uma vez que a maioria das arquibancadas era de madeira, e aqui elas estão ampliadas em um fictício projeto em que há a sua expansão com estruturas de concreto ao redor do gramado. Disponível em . Acesso em 24-10-2010.

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Equipe do Botafogo Futebol Clube campeã da “Série Cafeeira” (torneio de acesso) do Campeonato Paulista de 1956. De pé, da esquerda para a direita, vê-se o goleiro Galdino Machado, Benedito Julião, Fonseca, Dicão (que fez de “nariz” o gol do título na terceira partida da final), Mário e Gil. Agachados, da esquerda para a direita, estão Noca, Moreno, Ponce, Neco e Guina. Ainda na fotografia, mais à direita, o massagista Mascaro e como mascote, no centro, o menino Zezinho. Em destaque, no canto alto da imagem à esquerda, o treinador José Agnelli. Arquivo pessoal dos botafoguenses Penercides Fernandes dos Passos e Lucas Vinícius de Oliveira. Disponível em . Acesso em 24-10-2011.

http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/37325284.jpg

Arquibancada lateral de concreto (de costas para a Rua Santos Dumont) que restou do antigo Estádio Luiz Pereira, fazendo parte do clube poliesportivo do Botafogo Futebol Clube. À frente dela a piscina semi-olímpica com o escudo do clube ao centro. Disponível em . Acesso em 24-10-2011.



http://www.botafogosp.com.br/img/noticias/noticia617.jpg?9140488612066136753825189688

Visão da arquibancada lateral restante do antigo Estádio Luiz Pereira em direção à piscina semi-olímpica do clube poliesportivo do Botafogo. Foto: Rafael Martinez. Disponível em . Acesso em 26-10-2011.